Um anjo da guarda. Assim pode ser definido o papel da fisioterapeuta Angela Côrtes na recuperação de Rodrigo Minotauro. Se o peso-pesado está prestes a entrar no octógono na noite deste sábado, quando enfrenta Frank Mir, a maior parte dos créditos vai para ela, que saiu dos Estados Unidos só para cuidar do lutador e quer a vitória como presente justamente no dia do seu aniversário.

Hoje, Angela diz que ele faz já parte da família. E lembra que, pouco antes do auge da volta de Minotauro ao octógono, contra o americano Brendan Schaub, no UFC Rio, teve de lidar com um problema inesperado, mas segundo ela, puramente emocional:

– No dia da luta, na hora de a gente sair, fui entregar a roupa para ele, que saiu do banho e me disse: “Travou” (apontando para o quadril). Era tudo psicológico. Eu sabia, porque já conheço ele. Fiz ele sentar e falei: “Cara, nós trabalhamos muito, acreditamos muito, só Deus sabe. Esta noite é sua. Vai ser no primeiro round” – revelou ela, emocionada.

No fim das contas, tudo deu certo. Minotauro venceu a luta por nocaute aos 3m09s do primeiro assalto, exatamente como Angela havia previsto. Ela conta que não segurou a emoção: caiu de joelhos, literalmente, na plateia da Arena da Barra. Era a prova de que todo o trabalho havia sido bem feito. Valeu a pena.

Volta por cima: Rodrigo Minotauro nocauteou Brendan Schaub no UFC Rio, em agosto.

– Eu estava nos Estados Unidos em 2010, trabalhando com o Marc Philippon, um renomado artroscopista de quadril. No dia 30 de dezembro, ele me ligou e disse que tinha feito uma cirurgia dias antes em um atleta, que não estava tendo uma recuperação boa, e me perguntou se eu podia vir para o Brasil para fazer a recuperação dele. Eu não sabia quem era, não conhecia nada de lutas, e o meu marido incentivou, disse que eu ia cuidar de uma lenda. Depois o Rodrigo (Minotauro) me ligou, vim para o Brasil e no dia 15 de janeiro tivemos o primeiro contato. A partir daí era diário. Ele dormia na minha casa, e houve uma integração boa das famílias – lembra ela.

Fisioterapeuta há 17 anos, Angela chegou a fazer trabalho específico em Minotauro por sete horas diariamente. Além disso, era ela quem controlava a quantidade de esforço permitida nos treinos e a alimentação, além de “filtrar” o que chegava até o lutador: problemas eram proibidos. Outra função fundamental foi trazer o fisiologista Cláudio Pavanelli, também importante na recuperação. O início, segundo ela, foi a parte mais difícil:

– Tive que entrar no motivacional dele. Quando chegou, ele estava bem traumatizado, não tinha muita esperança, estava todo duro e rígido, com dores. Perguntei o que ele desejava, e ele disse que não estava conseguindo assistar mais às lutas, não estava vendo mais chance de voltar. E falei: “Você não me tirou lá dos Estados Unidos para isso…”. Então ele disse: “Quero voltar a lutar”.

A fisioterapeuta garante que Minotauro não sente mais dor no quadril, operado duas vezes. O trabalho feito é para manter os grandes avanços conquistados desde o início de 2011, como a flexibilidade muscular e da articulação. Com o “corpo equilibrado”, ela explica, “Big Nog” melhora seu desempenho na luta.

Fonte: http://sportv.globo.com