Atividade aumenta a consciência corporal e fortalece a musculatura
Sofia Xavier de Barros é adepta do Pilates, técnica que, depois de conquistar os adultos, ganhou também as crianças e os adolescentes. “Há cinco anos venho trabalhando com crianças de uma maneira mais lúdica, com bolas de tamanhos diferentes, macarrão, plataformas oscilantes para aumentar o equilíbrio, e também alguns aparelhos que podem ser usados com restrições como o Reformer, usado para aumentar a força muscular e alongar e o Barrel, para alongar e fortalecer o abdômen”, conta Mateus El Haeuche, 30, fisioterapeuta e professor de Pilates do Equilibrium Núcleo de Fisioterapia.

Mateus diz que começou a trabalhar com Pilates postural há cinco anos, para dar consciência corporal. “As queixas das crianças são geralmente dor na coluna ou nas pernas em decorrência da má postura. Mas eu só recomendo essa técnica para crianças acima de 4 anos, porque os exercícios exigem certa coordenação da respiração”, explica.

Os recursos lúdicos são muitos e incluem acessórios, como bolas, discos de rotação e de equilíbrio, rolos de espuma e meia-lua, que desafiam, despertam e estimulam as crianças. Certos objetos, como caixas de diversos tamanhos ou almofadas, são muito úteis nas aulas e os exercícios progridem respeitando o limite de cada criança.

O método proporciona a percepção do próprio corpo e do espaço que ele ocupa, além da consequente percepção do espaço em que o outro está. Com isso, os pequenos ganham consciência ampla e aprendem a respeitar as possibilidades e os limites próprios e de todos.

“Tdas as crianças, de um modo geral, podem praticar e se beneficiar com esse método que é dinâmico e possui uma grande variabilidade de exercícios e aparelhos, além de ser lúdico, relaxante e, principalmente, trabalhar de forma globalizada toda a musculatura corporal”, explica Solaine Perini, fisioterapeuta e presidente da Associação Brasileira de Pilates.

Ela ressalta que as crianças de hoje não sobem mais em árvores, não pedalam e tampouco correm. Os computadores, jogos eletrônicos e celulares sequestraram das crianças essas atividades. “Isso compromete o crescimento natural, o desenvolvimento muscular e o alongamento necessário”, pondera Solaine.

E quando começar? O Pilates é indicado a partir dos 4 anos. “O que importa é respeitar a individualidade biológica de cada um”, ressalta Eduardo Freitas da Rosa, fisioterapeuta e coordenador administrativo da Associação Brasileira de Pilates.

Essa é uma técnica para todos e o que varia é a intensidade da sessão. “Trabalhar com as crianças com a mesma intensidade utilizada em adultos pode ser perigoso, pois as articulações e estruturas ósseas podem ser muito exigidas”, adverte Eduardo.

Em casos que envolvam reabilitação, os pais devem procurar profissionais de fisioterapia e com formação em Pilates, para evitar cair nas mãos de profissionais sem preparo. Além disso, devem ajudar no tratamento orientando as crianças a seguirem as recomendações e ficar atentos à manutenção da postura também em casa.

“O desenvolvimento da criança está diretamente relacionado às suas práticas corporais. O conhecimento sobre o desenvolvimento biomecânico das estruturas corpóreas de uma criança é indispensável antes da escolha da atividade e, principalmente, do profissional que acompanhará a criança”, pontua Eduardo.

João Paulinelli, 13, faz pilates há um ano, desde que começou a sentir fortes dores. “Tinha problema no joelho, não aguentava nem descer escadas. Com o pilates, a dor passou e melhorou a flexibilidade”, conta ele, que considera que a atividade o ajuda a jogar futebol. “Preciso de força na perna”, diz.

A fisioterapeuta Maria Mesquita Castanheira, professora do estúdio Elo Pilates, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, afirma que os resultados de João foram rápidos. “Ele melhorou bastante, emagreceu. A postura melhorou”, conta. Segundo ela, a técnica aumenta a flexibilidade, melhora a capacidade respiratória, alivia dores e desenvolve a coordenação. “Tudo isso com resultados rápidos e duradouros”, diz.

Um outro exemplo é o da bailarina Alice Becker que sofreu uma grave lesão no joelho sendo obrigada a parar de dançar por um ano. Buscando reverter um quadro que limitava sua atuação na dança, ela conheceu o Pilates nos EUA.

Em 1991, ela inaugurou a Physio Pilates e tornou-se a pioneira na difusão e expansão dessa metodologia. “O conteúdo a ser trabalhado com crianças deve fazer com que elas assimilem e o transformem em conhecimento. É preciso estabelecer identidade e conexões entre as aulas de Pilates e o universo no qual as crianças estão inseridas, para que, elas percebam os benefícios da boa postura, da concentração e da respiração correta. Dessa maneira, elas transformarão o conceito em atitude e procedimento”.

Para que o trabalho seja frutífero, estimulante e garanta o aprendizado dos exercícios, o ideal é praticar o Pilates duas vezes por semana, em sessões de uma hora.

Fonte: http://www.otempo.com.br