Estimulação Elétrica NeuromuscularInicialmente foi utilizada para recuperar a musculatura de astronautas, submetidos a longos períodos de ausência gravitacional. Nascendo assim a chamada Corrente Russa, proposta e utilizada pelo Dr. Yakov Kotz, professor de educação física, responsável pelo treinamento de astronautas russos. Desde então, maiores investigações sobre a chamada Corrente Russa, levaram os pesquisadores a aperfeiçoar essa corrente, tendo em vista que era utilizada em pessoas jovens, saudáveis e bem treinadas e também a luz de maiores informações obtidas graças ao avanço da fisiologia e da eletrofisiologia.

A Corrente Russa provocou muito interesse, pois o time olímpico russo, na Olimpíada de Montreal em 1976, foi muito bem sucedido e estava usando-a em complemento aos métodos de treinamentos usuais e sugeriu-se que seu uso levava a ganhos significativos (30-40%) na força muscular (Low e Reed, 2001).

O aparelho de Corrente Russa por trabalhar com média freqüência tem uma maior profundidade e melhor tolerância do paciente. As freqüências de estimulação são específicas para ambos os casos. São escolhidas de acordo com o tipo de fibra muscular que queremos trabalhar (fásicas ou tônicas).

Fortalecimento Muscular Utilizando Corrente Elétrica

Unidades motoras tônicas e fásicas

Em fisioterapia hoje, é comum falar em musculatura tônica e fásica. Neste contexto seria melhor falar em unidades motoras tônicas e fásicas. Em geral pode ser dito que as unidades motoras tônicas são as primeiras a se tornarem ativas durante o movimento. As unidades motoras fásicas somente se tornam ativas quando uma força adicional é requerida. Durante um movimento rápido, as unidades motoras fásicas podem ser ativadas antes das unidades motoras tônicas.

Efeito fisiológico

A base teórica para seu uso é que a estimulação elétrica máxima pode fazer com que quase todas as unidades motoras em músculo se contraiam de forma sincronizada, o que não pode ser conseguido em uma contração voluntária (Currier, 1987).

A força muscular pode ser aumentada pelos efeitos da estimulação elétrica. Em pessoas com musculatura sã o aumento não é maior que o obtido por exercício físico, porém em musculaturas hipotrofiadas o resultado melhor ocorre através da estimulação elétrica. Isto se deve ao fato de que a princípio todas as unidades motoras podem ser ativadas. Um paciente que não tem condição de solicitar esta ativação voluntariamente pode obtê-la através da estimulação elétrica.

Os objetivos de se fortalecer a musculatura

• Manter a qualidade e a quantidade de tecido muscular;
• Recuperar a sensação da contração muscular;
• Estimular a circulação sangüínea do tecido muscular.

A eletroestimulação do músculo sadio, muito tempo em repouso, com aplicação das correntes de freqüência média, suscitou no decorrer dos últimos anos, o retorno de um interesse tanto no domínio da preparação física e esportiva como no da reeducação funcional, dermato-funcional.

Na reeducação funcional, podem-se distinguir dois grandes tipos de aplicações

• Utilização desenvolvida na prevenção das conseqüências da imobilização tentando limitar a hipotrofia;
• Melhor recrutamento de unidades motoras para favorecer a contração voluntária.

A estimulação elétrica realmente aumenta a força muscular, embora não exatamente da mesma forma que um exercício voluntário equivalente. Em uma revisão extensa, Lloyd et al. (1986) concluíram que geralmente a estimulação elétrica não é um substituto satisfatório para a atividade voluntária.

Vários estudos demonstram que a estimulação elétrica (ou estimulação elétrica combinada com exercícios voluntários) leva a ganhos de força similares ou, em alguns casos até maiores, que aquele obtido apenas com exercício voluntário.